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                                                          III REPÚBLICA

O 25 de Abril de 1974 é complementado com o 1º de Maio, dia em que se reuniram em Lisboa 500 000 pessoas e aí surgiram pela 1ª vez os símbolos de foice e martelo, emblema do partido comunista, o slogan “o povo, unido, jamais será vencido”, slogan depois adoptado na generalidade pelos manifestantes. Os soldados traziam cravos vermelhos nos canos das espingardas e os civis nas lapelas e nos cabelos. A manifestação no fundo era um desejo de liberdade, mudança, e fim de mobilização dos jovens para a defesa do ultramar. Os intelectuais e jornalistas queriam a liberdade de opinião e abolição do autoritarismo, mas outros, embora desejando uma revolução liberal, queriam a abertura ao jogo dos grandes interesses económicos, sem condicionamento de justiça social ou pruridos de independência. Ao mesmo tempo as Forças Armadas queriam dirigir a revolução. O partido comunista julgava que era a classe operária, classes trabalhadores, o povo, em unidade com os militares – aliança povo/MFA. Quanto ao ultramar a tese integracionista, de uma nação pluricontinental capaz de promover o desenvolvimento global das populações, afundara-se com o colapso do regime, e fora substituída por uma perspectiva federalista, através de organização de um conjunto de estados autónomos mas interdependentes, tese defendida por vastos sectores, sobretudo militar, incluindo os generais Spínola e Costa Gomes e os membros da Junta de Salvação Nacional, mas os partidos Socialista e Comunista, com a influência de fortes pressões internacionais, defendiam a tese das independências imediatas.

Os capitães de Abril desejavam por termo a guerra do ultramar e na sua maioria não tinham filiação partidária e eram pela democracia. O seu programa exigia a abolição da censura e da PIDE, melhor justiça social, eleições livres para a Assembleia Constituinte e uma Constituição nova. Seus representantes os generais António de Spínola e Costa Gomes, comandantes Rosa Coutinho e Pinheiro de Azevedo, e brigadeiro Diogo Neto e Coronel Galvão de Melo, de cada ramo das Forças Armadas, exercito, marinha e força aérea, formaram uma Junta de Salvação Nacional e escolheram um 7º membro o General Silvério Marques para substituir aquele que fosse ocupar o lugar de presidente. Paralelamente a esta JUnta de Salvação funcionou  uma Comissão Coordenadora, nesta distinguindo-se o Coronel de Engenharia Vítor Gonçalves e os majores Melo Antunes e Vítor Alves. Enquanto os revolucionários se organizavam, as forças políticas da esquerda de imediato lançaram  uma onda de reivindicações e de agitação social, manifestações, protestos de operários, estudantes e funcionários, percorrendo  as ruas todos os dias reivindicando melhores condições de vida.

O General António de Spínola assumiu as funções de Presidente da República e deu posse ao 1º Governo Provisório presidido por Adelino da Palma Carlos e formado entre outros pelos presidentes dos principais partidos, como  Álvaro Cunhal do Partido Comunista, Mário Soares do Partido Socialista, e Sá Carneiro do Partido de Social-democracia, de modo a iniciar o processo de eleições. Devido a divergências  Palma Carlos pediu sua demissão e o MFA indicou ao Presidente da República seu substituto o coronel Vasco Gonçalves e na cerimónia de posse do 2º Governo o General Spínola denunciou a orquestração de excessos que se cometem por toda a parte nas ruas, empresas, escolas e até em sectores da função pública de alta responsabilidade e exortou a maioria silenciosa  acordar e tomar a defesa das liberdades para que o 25 de Abril não perca, perante o mundo, a história e nós próprios o sentido. A maioria silenciosa organizou em Setembro uma manifestação de apoio ao Presidente da República, mas o MFA e o Partido Comunista levantaram barricadas nas estradas de Lisboa, assim sem o apoio do MFA o Presidente foi obrigado a solicitar a sua demissão e com ele os membros da JSN e o seu lugar foi ocupado pelo General Costa Gomes que face a força usou a linha de compromisso com o Gonçalvismo.

Este governo apoiado pelos militares da esquerda e pelo partido comunista acelerou a solução dos problemas do ultramar e tentou impor o socialismo, nacionalizações, expropriações, ocupação das casas e herdades, prisões de empresários, nacionalizações dos jornais e a linguagem exaltada dos órgãos de comunicação social, anunciando a eliminação física de muitas figuras políticas e empresários contrários ao processo revolucionário em curso, PREC, o que causou um golpe militar falhado, o 11 de Março de 1975, de oficiais da linha de Spínola moderados, que tiveram que fugir do país e alguns foram presos. A Junta de Salvação Nacional foi substituída pelo Conselho de Revolução, o Conselho de Estado e o Conselho dos Vinte. Esta situação criou a crise económica e foi formado o 4º governo Provisório também sob presidência de Vasco Gonçalves e nas vésperas de eleições de 25 de Abril de 1975 a 5ª Divisão, departamento de Relações Públicas do Estado-Maior, fez apelo ao voto em branco, como voto de confiança no MFA, mas não teve eco. O partido socialista teve 37, 9% dos sufrágio, o Partido Popular Democrático, PPD, 26,4%, o PCP 12, 5% e o CDS 6% e o MDP 4%

Estas eleições clarificaram a divisão entre a esquerda no 1º de Maio de 1975, em que comunistas e socialistas enfrentaram-se como grupos rivais e em 19 de Julho de 1975 o PS organizou um grande comício na Alameda D. Afonso Henriques em Lisboa onde concentraram-se adeptos de todo o país e Mário Soares acusou o Governo de querer instalar uma nova ditadura e pediu a demissão de Vasco Gonçalves e poucos dias depois o MFA formou um directório constituído por Costa Gomes, Vasco Gonçalves e Otelo e grupos de direita incendiaram as sedes do PC, UDP e MDP/CDE.

O Presidente da Republica não se baseou nos dados eleitorais e formou o 5º Governo Provisório sob presidência de Vasco Gonçalves. No Conselho de Revolução um grupo de oficias liderado por Major Melo Antunes fez circular um documento “Documento dos Nove” censurando o radicalismo gonçalvista e propondo uma via conciliatória, um socialismo original, a meio caminho entre as planificações comunistas e os liberalismos democráticos, documento que circulou pelos quartéis e teve a assinatura da maioria dos oficias e Otelo apesar de anarco-populista e esquerdista declamatório, comandante de COPCON, forças operacionais, deu o seu apoio ao grupo dos nove e o exército decidiu demitir os oficias gonçalvistas do Conselho da Revolução, incluindo Vasco Gonçalves, que assim foi forçado a demitir-se.

O presidente da Republica nomeou o 6º governo provisório sob chefia de Almirante Pinheiro de Azevedo, mas apesar do apoio de COPCON as manifestações em Lisboa continuaram e em 22 e 23 Setembro o Parlamento foi cercado por deficientes das Forças Armadas e em 25 a capital foi percorrido por uma manifestação de soldados e marinheiros armados, SUVES, soldados unidos vencerão e em 27 uma multidão atacou, saqueou e incendiou a Embaixada Espanhola, manifestações que eram atiçadas pela emissões de estações de rádio nas mãos dos grupos de esquerda que difundiam mensagens de exortação a violência e a revolução popular, o governo determinou o encerramento dessas estações, mas um grupo de jornalistas esquerdistas ocupou as instalações de rádio renascença, emissora católica e falhando as tentativas de autoridades militares para o seu encerramento, o Governo encarregou uma equipa de paraquedistas de o destruir com explosivos, 7 de Novembro. Dias 12 e 13 de Novembro milhares de trabalhadores de construção civil cercaram o Parlamento, sequestraram os deputados, exigindo a aprovação de um contrato colectivo de trabalho, e os piquetes barraram a entrada dos alimentos e a saída dos deputados e o COPCON recusou-se a intervir e em 16 de Novembro uma manifestação de esquerda reuniu-se em Lisboa  e cerca de 300 000 trabalhadores vindos do Centro e do Sul do país com os seus instrumentos de trabalho como camionetas, escavadoras, gruas automóveis, betoneiras, tractores, dumpers, etc.,redes, enxadas, maquinas para operários, etc. soldados, marinheiros e oficiais progressistas, uma delegação de paraquedistas em uniforme de combate, atravessaram o mar do povo, face a isso em 20 de Novembro o Governo declarou falta de condições para governar, mas a oposição, cercou o Palácio Presidencial de Belém e exigiu a demissão do Governo e um plenário de soldados paraquedistas de Tancos rebelou-se contra o Chefe-de Estado Maior da Força Aérea e o Conselho da Revolução dissolveu a Escola de Paraquedistas de Tancos, já antes abandonada pelos seus 123 oficiais, mas estes paraquedistas ocuparam as bases aéreas de Monte Real e do Montijo e o quartel-general da Força Aérea em Monsanto e o Regimento de Policia Militar, Belém e o RALIS, regimento de artilharia de Lisboa colocaram-se ao seu lado.

Era a revolução militar esquerdista, mas os elementos militares ligados ao grupo dos nove, comandados pelo Tenente-coronel Ramalho Eanes no dia 25 de Novembro de 1975 através dum golpe relâmpago obrigaram à rendição da Policia Militar e dos revoltosos de Monsanto e dias seguintes muitos militares esquerdistas foram presos, terminando assim a tentativa de implantação de um regime esquerdista socialista em Portugal.

Com a crise económica e financeira foi necessário recorrer ao FMI para sobreviver. A nova constituição foi promulgada em 2 de Abril de 1976 e em 25 de Abril realizaram as primeira eleições legislativas e o PS manteve a posição mais votado 35%, mas o PPD e o CDS em conjunto formaram 40% e os comunistas 15% e nas eleições presidenciais logo a seguir o PS, PPD e o CDS apoiaram Ramalho Eanes que na 1ª volta obteve 61% e o Otelo Saraiva de Carvalho 16,5%.

O 1º Governo Constitucional foi presidido por Mário Soares, período de crise, desemprego crescente, estagnação económica, inflação, debandada dos quadros e dos capitais, aumento desordenado das despesas publicas, chegada dos retornados, colocação das clientelas, recurso constante ao credito externo, com severas imposições  do FMI.

Em 1978 os socialistas aliaram-se ao CDS para obterem a base parlamentar maioritária, mas não teve sucesso e em Agosto de 1978 o Presidente da República, Eanes, enveredou pelos governos presidenciais da sua confiança, 3º 4º e 5º Governos Constitucionais respectivamente chefiados por Nobre da Costa, Mota Pinto, e Maria de Lurdes Pintassilgo. Nas eleições de 1979 a Aliança Democrática, AD, presidida por Sá Carneiro, coligação direitista, obteve a maioria absoluta, em 1980 nas eleições presidenciais o Eanes, bloco central, obteve a primeira volta 56,4% contra 40,2% de Soares Carneiro, direita, e o governo em 1983 centrista foi presidido por Mário Soares e fez-se a primeira revisão constitucional, suprimiram o CR, mas não obtiveram a maioria para eliminar as nacionalizações, o que só foi possível na revisão constitucional de 1989 e as reprivatizações dos bancos, jornais, seguradoras, cimenteiras, transportes colectivos começaram de imediato e as empresas públicas convertidas em Sociedades Anónimas e as suas acções vendidas a grupos financeiros e com esses recursos fizeram o pagamento da dívida externa.

Em 1985 o PSD liderado por Aníbal Cavaco Silva obteve a maioria nas eleições legislativas, abrindo caminho aos governos duradouros. O PR terminou o seu 2º mandato em 1986 sem renovação e sua sucessão foi disputada por Mário Soares do PS e por Diogo Freitas de Amaral do CDS e Mário Soares ganhou e passados 5 anos nas eleições de 1991 obteve 70% primeira volta.

Apóa a revolução de 25.04.1974, vingou a solução independentista para os territórios ultramarinos, mas em Angola o exercito português foi substituído pelo exercito cubano, e Angola, Moçambique e Guiné, a guerra generalizou-se entre os partidos e todas as estruturas anteriores, administrativas e económicas, foram substituídas pelo sistema político comunista. Estas guerras causaram milhares de mortos, mutilados, traumatizados, e deslocações das populações e a economia e as infraestruturas foram destruidas. Em Timor, após um curto período de guerra civil com milhares de mortos foi ocupado pela Indonésia. Todas as independências foram imediatamente reconhecidas, excepto de Angola devido a 3 movimentos antagónicos, cuja independência só se deu em 11 de Novembro de 1976 e durante o período de transição deram-se confrontos militares que as forças militares portuguesas não conseguiram impedir.

O período histórico iniciado na época dos descobrimentos e reafirmado sucessivamente pela restauração, liberalismo, setembrismo e republicanismo, foi interrompido e optou-se por adesão a CEE cuja adesão deu-se em 1 de Junho de 1985 no Mosteiro dos Jerónimos para sublinhar o carácter histórico.

Atualmente, ano 2011, Portugal encontra-se endividado com grave crise económica interna causando desemprego, imigração, problemas socias e pobreza. As empresas e bancos portugueses encontram-se instalados nos países da língua portuguesa, sobretudo Angola e Moçambique, onde também muitos portugueses se encontram a trabalhar fugindo ao desemprego interno em Portugal. O presidente da maior empresa concessionária portuguesa de auto-estradas, BRISA, Vasco de Mello, visitou a India para formalizar e promover a "joint-venture" já constituída em Novembro de 2010, com a Feedback Ventures, o maior grupo indiano de assessoria de infra-estruturas, pois, a BRISA está interessada num investimento num pacote de 27 auto-estradas na Índia para alargamento de quatro para seis vias em auto-estradas com portagens, com uma extensão total de 6500 quilómetros (fase V), envolvendo um investimento conjunto de cerca de 6, 3 mil milhões de euros (8,2 mil milhões de dólares).In. Económico, 14.01.2011.

2011.02.23 -  In. Diário Digital - "A maioria da população residente em Portugal vive em vivendas, ao contrário da média da União Europeia, que habita em apartamentos, e 14,1 por cento da população habita em residências sobrelotadas, segundo um estudo divulgado hoje pelo Eurostat, seja 42 por cento da população vive em vivendas, 35,4 em apartamentos, 22 por cento em vivendas geminadas e 0,2 em edifícios que não estão preparados como habitações (como escolas), 14,1 por cento vive em casas sobrelotadas, seja habitações onde não existe pelo menos uma divisão por membro de agragado familiar, sendo o maior problema as infiltrações e humidade, 19, 7 por cento, falta de iluminação, 8,6 or cento, a inexistência de banheiras ou chuveiros, 2,7 por cento, e falta de sanitas internas, 2,4 por cento, enquanto a maioria da população da UE (41,7 por cento) vive em apartamentos e 34,3 por cento em moradias, 23 por cento em vivendas geminadas e 1,1 por cento noutro tipo de edifícios. Os apartamentos são mais comuns na Letónia, as vivendas na Eslovénia e as vivendas geminadas na Holanda e no Reino Unido. Em 2009, 18 por cento da população da União Europeia vivia em casas sobrelotadas, mas os valores variam entre os estados membros: desde um por cento no Chipre até 58 por cento na Letónia.Já no que diz respeito às condições de habitação, em média, sete por cento da população da UE considerava a sua casa muito escura, quatro por cento afirmava não ter sanitas interiores na sua casa e três por cento dizia não ter banheira ou chuveiro. O Eurostat concluiu que, na União Europeia, uma pessoa em cada seis vive numa casa onde a humidade e as infiltrações são o maior problema.Neste aspeto, os valores variam desde cinco por cento na Finlândia a 31 por cento na Eslovénia.No que diz respeito à inexistência de condições sanitárias, menos de um por cento da população de 15 estados membros não tem sanitas nas suas casas, mas na Roménia quase metade da população (43 por cento) tem de sair de casa para fazer as suas necessidades básicas."

28 de Março de 2011 - FEDERAÇÃO BRASIL-PORTUGAL Uma Potência Intercontinental [Sugestão para a pauta da Presidente do Brasil, em sua visita a Portugal] "A Aliança Brasil-Portugal ou Portugal-Brasil é uma exigência histórica que se me afigura inevitável. Faz parte de um processo lógico de apoio mutuo. O Brasil já foi, por alguns séculos. Estado de Portugal e foi também Reino Unido Portugal, Brasil e Algarves. A nova Aliança seria muito boa para o Brasil e seria muito boa para Portugal. Portugal ocupa um espaço privilegiado, como portal da Europa, no Atlântico, a Leste; o Brasil é o Portal natural da América do Sul, também no Atlântico, a Oeste. De todas as saídas possíveis de Portugal, neste momento de crise econômica, a única opção digna é a Aliança Lusófona Brasil-Portugal, a que podia se seguir, num futuro próximo, a Aliança Brasil-Portugal-Angola, formando um tripé poderoso na América, Europa e África. Poderá ser uma Aliança em que todos tenham reais vantagens e o mundo também. Seria o caminho de uma Federação Lusófona, Econômica, Política e Cultural. A União Lusófona não é menos importante do que a União Européia. Sendo países que se querem bem, e falam a mesma língua, já está mais de meio caminho andado.
Lembro estas ideias, como apoio para que entrem em pauta, no momento em que a Presidente Dilma, do Brasil visita Portugal."In. Milhafre. BLOGUE DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO »»» O GRANDE FÓRUM DA LUSOFONIA

A crise económica portuguesa vista desde a queda da monarquia até à atualidade: 

- O Rei D. Carlos começou a reinar em 1889.Em 1890 a Europa sofre depressão económica e colapsos de mercados financeiro. Em Portugal dá-se a bancarrota financeira em Maio de 1891 com a falência dos bancos e companhias, sobretudo como consequência também dos emprestimos em Londres e Paris feitos para construir o caminhos-de-ferro e para pagar os gastos de governação não cobertos pelas receitas do Estado, situação em que muitas das vezes um empréstimo cobria os juros dos empréstimos anteriores. Em 1892 Portugal oficialmente reconheceu que era impossível o seu pagamento, situação agravada com o ultimato inglês exigindo a retirada das forças portuguesas da zona que ligava Angola à Moçambique. Uma das questões fundamentais do governo era a das exigências dos credores estrangeiros que exigiam garantias de pagamento dos seus créditos, ainda por pagar. O governo francês chegou a retirar o seu representante diplomático de Lisboa, anunciando o corte de relações diplomáticas, o governo alemão projectou uma demonstração naval no Tejo, entre as chancelarias discutia-se o caminho a adotar para obrigar Portugal a pagar o que devia, pensando-se para o efeito a redistribuição das colónias africanas. Em 1898 a Inglaterra e a Alemanha assinam uma convenção que previa a partilha dos territórios de Angola, Moçambique e Timor, como  garantia de vultosos novos emprestimos a fazer em Portugal, que o governo depois acabou por desistir, e intensificou os esforços militares para neutralizar em Africa as pretensões que as grandes potencias ali estavam a fazer através do fomento de revoltas das populações nativas. Esta crise económica e social permitiu em Agosto de 1910 que os republicanos duplicassem os seus representantes no Parlamento;

- Em 05.10.1919 os republicanos tomam o poder à força das armas e António Costa, chefe do Partido Democrático consegue equilibrar o orçamento do Estado, no entanto o governo republicano entrou em decadência económica e social, pelo que surge o sidonismo do Sidónio Pais através do golpe de 07.12.1917 contra a demagogia dos políticos e promete a ordem  e a lei. Sidónio considerou os partidos e o regime parlamentar desde o constitucionalismo monarquico um obstáculo para o progresso do país e optou-se pelo regime presidencialista após a sua eleição pelo sufrágio universal em 28.04.1918, mas dia 14.12.1918 ele foi asassinado, depois de ele ter optado pelo sistema americano de presidencialismo, seja um governo exercido diretamente pelo Presidente e ao parlamento ficava apenas a missão de legislar e fiscalizar. A situação do país após a sua morte continuou desgovernada e entre 1920-1926  passaram pelo governo 8 ministérios agravando a crise política com a desvalorização da moeda e dos títulos das pequenas economias e das remunerações com a inflação galopante, situação que levou em 1924 os operários enquadrados por organizações sindicais anarquistas usarem greve para melhorar os salários, com violentas confrontações, servindo-se de bombas, com as forças públicas e o Partido Democráico entrou em crise e Afonso Costa abandonou o país. A situação internacional depois da 1ª Guerra Grande Guerra Mundial era de reconstrução das economias devastadas pela guerra e tendia a esperar do Estado mais ordem e disciplina. Em Portugal a Republica tinha desmembrado em correntes rivais, as forças armadas partidarizadas, os civis revolucionários, tornando-se violenta a cena politica, pelo que  pedia-se a suspensão desse tipo de politica e implantação de uma vida politica renovada e corrigida.

- 28.05.1926 dá-se o golpe de estado e em Fevereiro de 1927 o governo pensou recorrer ao empréstimo externo de 1,2 milhões de libras à Banca Internacional para fazer despesas urgentes com a reparação das estradas, construção dos portos de Leixões, Lisboa e Lobito em Angola, mas devido às garantias solicitadas recorreu à Sociedade das Nações Unidas. A Liga dos exilados políticos em Paris/Liga da Defesa da República, como Afonso Costa, Jaime Cortesão e António Sérgio informou os representantes da Inglaterra, EUA e França que não reconheciam legitimidade à operação financeira em causa por a mesma não possuir a autorização do Congresso da República. Esta intromissão da Liga levou à Sociedade das Nações Unidas a condicionar a concessão do empréstimo a fiscalização dum Comité Financeiro. O Ministro das Finanças interino Ivens Ferraz declarou que tais condições eram ofensivas da dignidade nacional e o empréstimo não foi realizado.

- 1933-1974 o  Estado Novo (Salazar e Marcelo Caetano), quando da revolução de Abril de 1974 deixou uma sólida situação financeira e em 31.12.1974 o Banco Central dispunha  865.936 Kg de ouro como reservas, a dívida externa era insignificante, apesar de gastos com a defesa da soberania na Metrópole e no Ultramar contra a agitação politica pelas organizações clandestinas como ARA, LUAR, etc. na metrópole e guerrilha ultramarina. Esta defesa de soberania contribuiu para manter a paz social e o desenvolvimento dos territórios e das populações e evitou a guerra nos territórios ultramarinos, como veio a sucerder logo após a independência daqueles territórios à partir de 1975 na Guiné, Angola e Moçambique e Timor, interrompendo o seu desenvolvimento e causando milhares de mortos, estropiados e traumatizados, terrenos minados, economia desfeita, etc.

- Após o 25.04.1974 - a Revolução dos Cravos,  o país foi desindustrializado e a sua economia destruida, pois não foi adaptado ao novo sistema ideologico e político, causando o desemprego da juventude e dos adultos, despesas superiores às receitas do Estado, desmantelamento da agricultura, importação de bens alimentares, serviços de justiça ineficazes, etc. Hoje já não se fala das reservas de ouro do Banco de Portugal - será que ainda existem ou não, foram hipotecadas ou vendidas? Ao mesmo tempo a dívida publica e a dívida externa bruta se vai aumentando cada dia que passa. 

Como conclusão desta retrospetiva política desde a monarquia constitucional, pode-se dizer que o sistema partidário e parlamentar em Portugal tem fraco sentido do Estado e da República. É mais um sistema de debate político sem conseguir resolver os problemas reais dos cidadãos e vivendo em cima das possibilidades orçamentais à custa da dívida interna e externa, de enriquecimento ilícito e de ganância, sem planos de desenvolvimento económico e industrial, excepto durante o período da governação do Estado Novo, 1933-1974, num regime de presidencialismo.

21.04.2011 - Portugal aderiu ao FMI, fundo monetário internacional, em 21.11.1960, com o objetivo de ser reconhecido pela comunidade internacional como um membro respeitável, mas depois de 25.04.1974 Portugal passou a encarar o FMI como uma tábua de salvação sempre que os seus gastos se tornam descontroláveis e o estado português se endivida e sente incapaz de resolver os seus problemas financeiros e entra em bancarrota. A primeira intervenção do FMI em Portugal foi em 1977, quando Mário Soares era o 1º ministro e foi chamado de "amigo americano", sendo o défice do estado em 1976  de 13%, o maior desde 1920, e entre 1977 e 1978 venderam 172 toneladas de ouro do Banco de Portugal, os défices das empresas públicas atingiam 8,1% do produto interno bruto, PIB, tudo isto no meio de golpes políticos e ameaças militares, com um Conselho da Revolução que ditava ordens e derrubava governos, a que acresciam greves gerais e manifestações semanais, não havia gasolina nas estações de serviço, nem pão nas padarias, racionava-se o açúcar e o arroz, desemprego de 7,2%, escudo a desvalorizar-se 20% entre 1977 e 1979. A   segunda intervenção da FMI foi em 1983, num governo do Bloco Central, liderado por Mário Soares e Mota Pinto e com Ernani Lopes como ministro das Finanças, quando o escudo sofreu a desvalorização de 12%, causando uma subida galopante de inflação de quase 30%, aumentos de impostos, quebra nas despesas públicas, desemprego, salários em atraso, descida dos salários reais e do consumo privado. A terceira agora em Abril de 2011. ver o link: youtu.be/wdBrVUmyGZU entrevista Medina Carreira.

25.04.2011 - As estatísticas de desemprego em Portugal - www0.rtp.pt/noticias/?t=Triplicaram-em-cinco-meses-os-casais-atingidos.rtp&article=436049&visual=3&layout=10&tm=6. Passados 37 anos da revolução de 25.04.1974 em Portugal o país hoje encontra-se em bancarrota com endividamento externo excessivo, apesar do apoio da FMI em 1976, 1983 e de 2011 nesta data em negociações, além dos fundos comunitários recebidos desde que Portugal entrou na CEE em 1986. Isto mostra que os ideias da revolução portuguesa em causa foram desviados e que os mesmos se encontram por cumprir. Os ideais da revolução eram democratização, descolonização e desenvolvimento, mas verifica-se que através da democratização os dirigentes e os representantes eleitos pouco se dignaram pelo bem estar do povo, mas antes zelaram-se pelos seus interesses individuais e de ganância, tal como tinha sucedido com a I República e, consequentemente, os portugueses são obrigados a emigrarem-se para os outros países para se sobreviverem, sobretudo os jovens, incluindo os licenciados. A descolonização inciada logo após o 25.04.1974 causou a guerra civil em Angola, Guiné, Moçambique e em Timor guerra civil e invasão indonésia, guerra que após interromper o desenvolvimentos desses territórios causou milhares de mortos, deslocações das populações, infraestruturas e economia destruidas, deficientes de guerra, terrenos minados, etc. Estas guerras civis duraram quase dobro da guerra da guerrilha do período de 1961-1974, ano de descolonização. Quanto ao desenvolvimento de Portugal hoje passados os 37 anos da III República os índices de desenvolvimento, isto é,  saneamento básico, esgotos, agua e lixos,  electrificação e educação, mortalidade infantil, etc., são superiores aos anos de 1974, mas isto não pode ser considerado uma vitória revolucionária, pois os governantes da II República naturalmente não iriam ficar parados no tempo sem mais desenvolvimento. Parece que para cumprir os ideias da revolução de 1974 faltou aos governates deste país a vontade de inculcar os valores universais de disciplina, racionalidade, pontualidade, zelo, cidadania, vontade e prontidão para bem servir os cidadãos e o próximo e justiça social para todos.

12.05.2011 -As medidas do Fundo Monetário Internacional (FMI) impostas ao Governo português, após o pedido de resgate financeiro à Comissão Europeia, efetuado a 06 de Abril, visam a redução do défice para 5,9% em 2011, 4,5% para 2012 e 3% para 2013. O programa de assistência financeira da União Europeia e do FMI a Portugal ronda os 78 mil milhões de euros e será aplicado durante três anos. A ajuda será concedida através da entrega periódica de dinheiro ao país, na sequência de verificações regulares por parte da Comissão Europeia quanto ao cumprimento do programa de reformas acordado. As medidas a implementar são semelhantes às aplicadas na Grécia e na Irlanda, países que também recorreram ao fundo de resgate.Medidas do FMI em Portugal Impostos, Agravamento do IRS para a classe média;Diminuição das deduções relativas a despesas com compra de casa, com saúde e com educação;Aumento do IMI;Descida do IMT;Aumento das taxas moderadoras na saúde;Aumento do IVA na fatura da eletricidade;Revisão dos produtos com taxa reduzida de IVA;Salários, Aumento das pensões mínimas;Corte nas pensões acima de 1500 euros mensais;Não haverá cortes nos salários da função pública ou no 13º e 14º meses;Função PúblicaRedução em 15% dos cargos dirigentes da administração central e de organismos públicos;Redução do número de municípios e juntas de freguesia;Militares proibidos de gerar mais despesa;Subsídio de Desemprego, Duração do subsídio de desemprego reduzida para 18 meses;Corte progressivo do subsídio de desemprego a partir do 6º mês;Valor máximo de 1048 euros;EmpresasRedução da taxa social única;Venda do BPN sem preço mínimo;Privatização da REN, TAP e EDP;Suspensão novas parcerias público privadas.In. http://www.online24.pt/medidas-do-fmi-em-portugal/

13.05.2011 - Hoje é o dia importante para o mundo católico e a todos os homens que independentemente da sua religião e o seu país se congregam desde ontem em Fátima, Portugal, para  as celebrações das aparições de Nossa Senhora de Fátima - Cova de Iria, local onde se deram as 6 aparições de Virgem Maria entre maio e outubro de 1917, sendo nelas os principais protagonistas as crianças Francisco Marto, Jacinta Marta (beatificados em 2000) e Lúcia dos Santos. Estas aparições nos legaram a visão do inferno, a conversão da Rússia e o sofrimento dos religiosos acompanhado do triunfo do bem sobre o mal. O inferno é representado pelo holocausto, as duas grandes guerras mundiais,  a bomba atómica, o aborto, etc., acrescido das ideologias de comunismo, nazismo e o facismo. A conversão da Rússia deu-se com a queda do império soviético e do sistema comunista e sua influência sobre o mundo. O sofrimento dos religiosos e dos sacerdotes é o confronto entre o mundo espiritual e o materialismo e entre o ocidente cristão e os radicais do islamismo, induismo, etc., como o caminho para o triunfo do bem através de conversão da humanidade aos preceitos transmitidos pela Nossa Senhora de Fátima nestas suas aparições. Calcula-se que mais de 200 mil fiéis se concentraram em Fátima desde ontem.

16.05.2011 - Os ministros das finanças da comunidade europeia hoje aprovaram o pacote financeiro de 78 mil milhões de euros a ser cencocedido a Portugal.Esta assistência financeira a Portugal vai ser repartida em partes iguais de 26 mil milhões de euros pelo FEEF, MEEF e Fundo Monetário Internacional (FMI), o que dá um total de 78 mil milhões.

02.06.2011 - Souto Moura, o arquiteto português vai ser agraciado com o prémio Pritzer de arquitetura 2011, em Wsahington DC com a presença do presidente Obama dos EUA. O prémio importa-se em 100 mil dolares, seja 70 mil euros. A fundação Hyatt criou este prémio Pritzer em 1979 e já distinguiu 8 arquitetos norte-americanos e 28 de dez outros países, incluindo o portugues Siza Vieira em 1992. In Lusa/Sol, 02.06.2011.

04.06.2011 - A PORDATA é uma base de dados referente aos índices dos últimos 50 anos da sociedade portuguesa, dividida em 14 áreas, população, saúde, educação, proteção social, emprego, empresas, ciencia e tecnologia, despesas familiares, habitação, justiça, cultura, contas nacionais, contas do estado,  ambiente e território. Estas estatisticas estão disponíveis numa aplicação para iPhone aos cidadãos em geral e permite fazer comparações, criar graficos e exportar dados. In Público-PT, tecnologia, base de dados Pordata destinguida pela ONU.04.06.2011

06.06.2011 - As eleições legislativas, antecipadas, óntem convocadas tiveram o seguinte resultado: 38,63% ao PSD, partido social democrata; 28,05% ao PS, partido socialista; 11,74% ao CDS, partido cristão democrata socialista; 7,94% ao CDU, coligação democratica unida, seja PCP; 5,19% ao Bloco de Esquerda. Assim, saiu vencedor o PSD sem maioria absoluta. Houve uma abstenção de 41,1%, o que demonstra que quase metade dos eleitores portugueses não confiam nos atuais partidos políticos saídos do 25.04.1974. Falta agora o Presidente da República convidar o partido vencedor PSD formar o novo governo.

21.06.2011 - Pedro Passos Coelho é agora oficialmente o primeiro-ministro do XIX Governo Constitucional, de coligação entre o PSD e o CDS-PP. O momento acontece apenas 16 dias após as eleições legislativas vencidas pelo PSD com 38,6 por cento dos votos, conseguindo uma maioria parlamentar de 132 deputados com o CDS-PP de Paulo Portas, que obteve 11,7 por cento dos votos.

22.06.2011 - Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro de Portugal, já deu o primeiro passo para dar o exemplo de poupança do dinheiro público. Na sua primeira viagem a Bruxelas optou por viajar na classe turistica em vez da económica juntamente com a sua comitiva de mais 4 elementos. Esta medida à partir de agora passa a ser aplicada a todo o governo nas viagens dentro da Europa. A outra medida imediata logo após a tomada de posse foi a demissão do governadores civis, representantes do governo central nos distritos, cuja existência já não se justificava desde o 25 de Abril de 1974 com a descentralização administrativa levada a cabo desde então. A sua existência tinha a razão de ser num governo centralizado, como era durante o regime do Estado Novo até à sua queda em 1974.

24.04.2012 -  Económico - "Custo por hora de trabalho em Portugal é menos de metade da média da zona euro, de acordo com os dados revelados hoje pelo Eurostat. O custo médio por hora de trabalho em Portugal é menos de metade do praticado na zona euro. Os portugueses ganharam em média 12,10 euros por hora em 2011, um valor que compara com os 27,60 euros da zona euro, de acordo com os dados revelados hoje pelo Eurostat. O gabinete de estatística da União Europeia revela ainda que o custo por hora de trabalho aumentou 0,70 euros na zona euro em 2011, em Portugal a subida ficou muito abaixo da média (0,10 euros). Ainda segundo o gabinete de estatísticas da UE, o preço médio por hora de trabalho na União Europeia foi de 23,10 euros, nos 27 o preço por hora trabalhado subiu 0,60 euros. Os países com melhor média são a Bélgica (39,30 euros), Suécia (39,10), Dinamarca (38,60) e França (34,02) ao passo que os valores mais baixos foram registados na Bulgária (3,50 euros), Roménia (4,20) e Lituânia (5,50)." Estamos nas vésperas do dia 25.4, dia em que deu-se a revolução dos cravos vermelhos em Portugal, dia 25.04.1974, que de Lisboa se irradiou através dos seus ideólogos também pelos territórios ultramarinos, além do território continental europeu português, chamado então "Puto", Portugal pequeno. Na altura dizia-se que Portugal se encontrava 50 anos atrasado em relação à Europa, apesar de haver estatísticas de evolução do nível económico em todo o território, seja em Portugal europeu e no POrtugal ultramarino. Pelas estatísticas aqui apresentadas, apesar de já terem passado 38 anos e apesar dos benefícios da evolução tecnológica mundial e dos fundos europeus, etc., Portugal continua atrasado e cheio de dívidas, em contradição com o regime anterior ao 25.04.1974 que deixara ainda umas boas reservas de ouro, uma moeda "Escudo" com cotação internacional e os territórios ultramarinos em franco progresso, sobretudo Angola e Moçambique, apesar dos gastos militares, quase 50% do orçamento, para a defesa contra o terrorismo e guerrilha lançada sobretudo pelas ideologias marxistas e socialistas. Portugal hoje, ao fim de 38 anos do novo regime dito democratico, aumentou o fosso entre a classe rica e a classe pobre, seja criou mais ricos e mais pobres, diminuiu a classe média e a emigração das pessoas continua, enquanto nos territórios ultramarinos, Angola, Moçambique, Timor e Guiné, houve uma guerra de quase 20 anos desde 1975 e destruição da economia e infraestruturas, na Guiné mesmo há dias deu-se um novo golpe.

 


 

 

 

 

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